Basta recordar a formação de alguns times que fizeram boas campanhas em torneios regional ou nacional, para perceber que essas equipes eram montadas basicamente com jogadores formados na agremiação.
O São Paulo, que está sempre lançando novos jogadores e geralmente faz boas campanhas nos campeonatos que disputa, o Santos dos últimos anos, e até mesmo o Corinthians recentimente, todos esses times quando se destacaram em alguma competição tinham em suas formações muitos jogadores lançados das equipes de base.
A compra de jogadores famosos implica em investimento geralmente muito alto para o clube, em uma responsabilidade que se transforma em um peso enorme nas costa do atleta contratado, e cria no torcedor uma esperança que nem sempre se confirma em campo. Além é claro, da ciumeira que invariavelmente acaba surgindo por parte de algum atleta que se sente injustiçado.
Naturalmente nem tudo é negativo na compra dos famosos. O marketing e o retorno financeiro que isso gera para a agremiação, o prazer do torcedor em ter um grande ídolo fazendo parte do seu time do coração e a esperança gerada no clube e na torcida, de ter uma equipe vencedora, tudo isso, por algum tempo é real, é verdadeiro e é alcançado com sucesso. Mas em longo prazo se os resultados não continuarem acontecendo, toda esperança do torcedor e dos dirigentes vai se reduzindo como num marcador de tempo, até se tornar negativa, e então, o grande amor que de inicio a torcida dedicou ao ídolo, aos pouco vai se tornando ódio.
Equipes formadas por ídolos consagrados dão muito certo na Europa, porque são montadas só com craques no auge da carreira e com salários muito próximos. A diferença em relação às equipes brasileiras é que se trata da repatriação de ídolos isolados, geralmente em fim de carreira, e com o peso de liderar a equipe.
Todo aquele amor com que os torcedores do Corinthians receberam Ronaldo e Roberto Carlos não acabou de repente; apenas não resistiu à frustração diante da ausência de resultados sonhados quando da chegada dos dois ídolos. Como o sonho maior do torcedor corinthiano é a conquista da copa libertadores, a eliminação da equipe ainda na repescagem foi a gota d’água, foi o último grão de areia que passou para a parte inferior do contador de tempo.
É o mesmo risco que corre hoje o Flamengo com a contratação do Ronaldinho Gaúcho. Diferente da contração do Rivaldo pelo São Paulo que não teve tanto marketing nem tanta repercussão na mídia, a contratação do Ronaldinho pelo Flamengo aconteceu depois de uma novela que durou quase um mês, e a decisão do jogador de escolher o Flamengo coloca sobre suas costas um peso muito maior do que seria se ele tivesse optado pelo Grêmio, time que o formou.
Para o torcedor o que importa são as vitórias e as conquistas; na ausência delas, só o verdadeiro torcedor entende, cobra, mas mantém o respeito pelo time e pelos atletas.
O que é totalmente reprovável é o comportamento de alguns torcedores diante de resultados disfavoráveis. A depedração e o desrespeito de qualquer cidadão contra o patrimônio, que seja privado ou público, não pode ser visto como uma reação normal.
Amar ou odiar é comum ao ser humano. Violência só é comum aos animais selvagens.

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